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Salvar vidas e cuidar de doentes são as principais missões de um médico

Salvar vidas e cuidar de doentes são as principais missões de um médico, mas há profissionais que ultrapassam todos os limites por amor ao próximo. O entrevistado de hoje da coluna “Bate-papo”, o oftalmologista Antônio Carlos Centelhas é um profissional assim. Ele conta ao repórter Edney Silvestre como cura a cegueira dos pobres com uma visão mais solidária e humana da medicina.

- Todos nós temos a chance um dia de fazer alguma coisa por aqueles que necessitam. Não é necessário ser rico, nem herói, basta querer ajudar. Quando uma pessoa abraça essa chance e ajuda, ela abre o caminho de uma vida melhor para muita gente.

- Doutor Centelhas, entre as muitas dificuldades que uma pessoa pobre enfrenta, existe o lado da medicina. E quando entram os problemas de visão, pior ainda. O seu trabalho é ajudar pessoas que têm problema de visão. Fale um pouco sobre isso.

- Uma coisa importante que fui percebendo com o tempo é a quantidade de pessoas que chegavam cegas no serviço, amparada por outras pessoas. Essas pessoas eram, normalmente, de origem humilde, com difícil acesso à informação e onde a ajuda chega muito pouco. Então, surgiu a idéia de ajudar as comunidades que têm essa dificuldade. Nós montamos um programa de atendimento para essas pessoas. O problema está baseado no Centro de Saúde Milton Fontes Magaran, que fica no Engenho de Dentro.

- Qualquer pessoa pode procurar?

- Qualquer pessoa tem acesso. Quem tem problema de visão, é o lugar para ir. Não tem que pagar. É um posto de saúde municipal, que oferece atendimento oftalmológico.

- Vocês não ganham nada para ajudar?

- Não ganhamos nada. Todo mundo colabora e é um trabalho voluntário. A gente procurou colocar a oftalmologia de mais impacto social, como é o glaucoma, a catarata, a diabetes.

- Mas o trabalho que vocês fazem não se restringe à clínica?

- Não. Esse trabalho envolve a participação de pessoas voluntárias e é um trabalho interessante, porque a gente vê como as pessoas se doam. Nós temos, além do atendimento de base no centro de saúde, também um atendimento onde levamos as informações para as comunidades. Existe um grupo chamado “Amor e vida” que é de alunos, principalmente de enfermagem. Eles vão todo sábado de manhã até a comunidade da Camarista Méier que faz parte do nosso atendimento, e estão lá sábado de manhã, contactando as pessoas para dar a informação. Com relação ao glaucoma, é muito importante nós não só orientarmos o paciente, mas a família. Temos que estender porque eles podem ser futuros portadores de glaucoma.

- Uma pessoa que tenha glaucoma está necessariamente condenada à cegueira?

- Não. O glaucoma não é uma doença que tenha cura, mas é uma doença que pode ser muito bem controlada, medicamentosamente e, eventualmente, até com tratamentos a laser ou cirurgia.

- O senhor é de onde?

- Eu sou de São Paulo, da região do ABC.

- De família rica?

- Não. Família de classe média.

- Há outros médicos, que, como o senhor, são extremamente dedicados. Mas é uma profissão também que, por outro lado, pode fazer de uma pessoa alguém muito rico, desde que se dedique a pacientes muito ricos. Entretanto, o senhor busca o lado social. Não dizem que o senhor é “bobo”, de vez em quando?

- Não. Nunca houve essa situação. Naturalmente, isso faz parte da minha vida. Me faz muito bem.

- Para outras pessoas que quiserem seguir esse caminho, esse exemplo, o que o senhor aconselharia?

- Eu acho que quando ajudamos essas pessoas muito carentes, estamos ganhando tanto em afeto, em reconhecimento. Acho que a profissão do médico, hoje em dia, ela está sendo muito criticada, pouco valorizada em relação ao que temos hoje em termos de plano de saúde, de seguradoras. A atividade médica está muito desvalorizada. É muito gratificante participar desses programas sociais, porque isso realmente enriquece a atividade. Eu acho que todo mundo deveria, dentro de cada profissão, doar um pouco do seu tempo para poder ajudar essas pessoas. Estamos precisando muito. Quando a gente entra em uma comunidade, a gente vê a distância que existe em relação a saúde, a parte de atendimento social como um todo. A gente chega na comunidade, começamos a fazer uma triagem e vê coisas impressionantes, como uma criança de 13 anos com uma outra criancinha no colo, e a gente pergunta se é irmã, e ela fala que é filha. Vê como estamos distantes de chegar a um ponto onde a gente possa ter uma sociedade mais igualitária e melhor para todo mundo.

(Matéria publicada no Site do RJ TV em 22 de Outubro de 2004)